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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Causa em Aristóteles

É comum procurarmos a origem das coisas, da vida, dos movimentos, dos problemas; ou seja, vivemos querendo entender qual a 'Causa' das coisas. Mas o que seria Causa? Este tema recorre em grandes polêmicas de muitos pesquisadores. Podemos ver discussão sobre o que é Causa em muitos textos históricos e contemporâneos. Aqui, vamos discutir um pouco o que significa Causa para o seminal filósofo grego, Aristóteles.



Para Aristóteles, existiam quatro modalidades de Causa: (1) Causa Final, (2) Causa Material, (3) Causa Eficiente e (4) Causa Formal.

A Causa Final indica uma finalidade. Por exemplo, na expressão "a vida foi feita para aprender a aproveitar as pequenas coisas", podemos dizer que aprender a aproveitar as pequenas coisas é a Causa Final da vida, já que a vida foi feita para tal fim. Outro exemplo é quando dizemos: "eu estudo para ser alguém melhor", ser alguém melhor é Causa Final do estudo.

A Causa Material tem relação com a matéria prima de uma certa obra. Por exemplo, a Causa Material de uma estátua de mármore é o próprio mármore. Quando Michelangelo foi indagado sobre como que construi a estátua de mármore de Moisés disse que a única coisa que fez foi retirar do mármore tudo aquilo que não era Moisés. Podemos dizer, também, que a ideia de Moisés por Michelangelo é a Causa Final. O substrato material para alcançar a Causa Final é a Causa Material.

A Causa Eficiente indica aquela ideia de Aristóteles: "para que algo se mova precisa ser movido por 'alguma coisa' e essa 'alguma coisa' constituir-se-ia na Causa Eficiente da coisa que se move". Para ele, se a Causa Eficiente não agir mais, o movimento deixaria de insistir da mesma forma. Sabemos, hoje em dia, que a Causa Eficiente dos movimentos é a Força Newtoniana, porém, também sabemos, de Galileu, que o movimento continuaria, em linha reta e numa superfícia sem atrito, mesmo que a Força deixe de existir (Inércia).

Para entendermos a Causa Formal, usarei o exemplo do corpo que se move com velocidade constante e em linha reta. Para que ele permaneça em movimento é imprescindível que continue em linha reta (e que a superfície seja perfeitamente lisa). Isto sugere que a geometria do espaço (a superfície em linha reta) é a Causa Formal do Movimento Uniforme (aquele que o corpo permanece com velocidade constante). A Causa Formal é aquilo que dá forma, ou seja, a definição da essência e seus gêneros.

Escrito pelo Professor Ms. Daniel Japiassú (TEIXEIRA JAPIASSÚ, D. V.)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Breve História das Conservações

Certa vez, um rapaz estava estacionando sua motocicleta na calçada. Por um descuido, o veículo caiu no chão. O rapaz ficou extremamente aflito e preocupado com o estado que sua moto poderia ficar após esta queda. Quando a colocou na garagem de casa percebeu que o guidão tinha entortado em um dos lados. Tentou desentortar com as próprias mãos mas a tentativa foi em vão. Então lembrou que seu pai tinha um cano longo de ferro e bem resistente. Encaixou a abertura do cano na manopla do guidão e puxou. Com facilidade o guidão desentortou e voltou para sua posição original.Ele usou o conceito simples de alavanca. Sabia que neste simples fato existe um princípio de conservação envolvido?

A imagem ilustra, não por acaso, um ser humano, da antiguidade, usando este sistema para mover uma pedra. Ele consegue mover a pedra com uma força bem menor que o próprio peso do objeto. Existe uma clara compensação entre a força que se aplica e a distância entre o ponto de aplicação da força e o apoio no chão (uma outra pedra menor). Um dos primeiros pensadores que nos esclareceram deste fato foi Heron, de Alexandria, que dizia que "o ganho de um efeito vital da natureza representava uma perda, correspondente, em outro elemento natural" (LINDSAY).

Segundo Parmênides, de Eleia, lá por volta de 470 a.C. escreveu um poema que dizia que, dentre outras coisas, a verdadeira mudança não ocorre senão perante os nossos olhos, a mudança é impossível enquanto a existência é atemporal, uniforme, necessária e imutável. Ele percebia a diferença de comportamento que era feito em face de algumas coisas que ocorriam. Como alguém chamar a laranja de maçã – a laranja não vai deixar de ser laranja nem vai perder suas propriedades por que alguém passou a chamá-la de maçã. Percebemos que esse pensamento mostra a ideia de constância, algo que não se modifica perante a mudança.

Percebeu como essas ideias são antigas? Algo que você utiliza hoje, como as alavancas, já eram aprendidas e refletidas pelos sábios da antiguidade. Que tal você pensar um pouco mais e apontar outros fatos aos quais podemos ver (ou perceber) mais princípios de conservação?

Escrito pelo Professor Ms. Daniel Japiassú (TEIXEIRA JAPIASSÚ, D. V.)